EXPOSIÇÃO

MAR - Museu de Arte do RIO

Colecionar para o Rio, para o Brasil e para o mundo. Construir um acervo que investiga o passado e encara o presente de frente. Ser museu e escola, de todes e para todes. A série audiovisual lançada em 2020 apresenta o museu, a Coleção e a Escola do Olhar por meio de entrevistas com curadores, museólogos, educadores, gestores e parceiros que ajudaram a pensar e viabilizar um dos equipamentos culturais mais importantes do país.

Série #AcervoMAR - Parte 1

O idealizador da Coleção e primeiro diretor cultural do museu, Paulo Herkenhoff explica o que é colecionar para o Museu de Arte do Rio. Outros entrevistados lembram as origens do projeto e celebram a originalidade e diversidade das mais de 31 mil peças que compõem o acervo, formado a partir de doações de artistas e colecionadores.

Série #AcervoMAR - Parte 2

O Rio de Janeiro, junto à Paris dos bulevares, foi a cidade mais representada no mundo. O acervo do MAR reúne pinturas, fotografias, cartões postais e objetos que retratam o esplendor de sua paisagem natural. Mas abriga também peças sem autoria, que não são obras de arte, "sintomas de uma catástrofe" que ajudam a contar a história da cidade nas palavras de uma das entrevistadas deste episódio.

Série #AcervoMAR - Parte 3

A escravização de africanos e descendentes durou quatro séculos na história do Brasil. A região portuária, na qual se localiza o MAR, se constitui, em muitos pontos, como local de chegada e cemitério, onde estão enterrados muitos dos que não conseguiam sobreviver às longas travessias. A África sequestrada para o Brasil apresenta riquezas das mais variadas complexidades: liturgias, comércios, vestuários, joias. Assim, o que chamamos hoje de cultura brasileira se relaciona a uma afromundialidade, onde tradições artísticas permanecem em nosso cotidiano, tanto em estilos escultóricos - como nos trabalhos em madeira e bronze - quanto em modos de vestir e se adornar. Saiba mais no terceiro vídeo da série #AcervoMAR!

Série #AcervoMAR - Parte 4

O sistema da arte, como qualquer recorrência sociológica, muitas vezes reproduz as divisões de classe, de interesses e de políticas mais amplas na constituição de um pais. A concentração de investimentos e equipamentos de arte e cultura no Brasil segue por rotas que privilegiam os grandes centros urbanos e financeiros da nação. Rio de Janeiro e São Paulo acabam, em desiguais proporções, a concentrar artistas e poéticas que ressoam por todo o Brasil. A necessidade de traçar “ geografias transversais” acontece ao destacarmos em nossa Coleção outros centros, outras margens, como Belém do Pará, na coleção Pororoca, Bahia, na coleção Dendê e, atualmente, o Centro-oeste. Saiba mais no último vídeo da série sobre o #AcervoMAR!

Entrevista Amanda Bonan

Museu do Isolamento

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Rafael Mesquita

@rafames_art

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Eduardo Pimenta
@edupimenta

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Ayeska Hübner
@ah.bordadoama

O Museu do Isolamento é o primeiro museu online do Brasil que se propõe a divulgar o trabalho de artistas que estão produzindo em seus diferentes tipos de isolamento (seja ele social, cultural, regional, racial, de gênero ou outros). Para aqueles que produzem arte, o Museu se propõe a ser um espaço de visibilidade para que consigam expor seus trabalhos de forma mais democrática. Para aqueles que consomem e admiram arte, trazemos obras que discutem aquilo que está sendo vivido hoje e por todos nós. Acreditamos que diferentemente do que se fala, quem vive de passado NÃO é museu. Se estamos vivos hoje, vivendo o momento presente, precisamos ser um museu que fale também sobre o agora, que traga uma curadoria atual e atuante que nos ajude a entender o mundo ao nosso redor e o mundo dentro de nós. Para isso, nada melhor do que a tecnologia para dar a dinamicidade e a velocidade necessária para conectar pessoas, ideias e lugares. A tecnologia foi o que realmente permitiu com que uníssemos os diferentes tipos de isolamento, em um momento em que estarmos juntos se mostrou fisicamente impossível. A tecnologia tornou possível à artistas, que antes não tinham nem 100 seguidores, passassem a ter suas obras vistas por pessoas de todos os estados do Brasil. Se hoje o Museu do Isolamento conta com mais de 130 mil visitantes diários é porque existe uma nova geração sedenta por arte, por mudança e por vontade de construir, por meio de cores, desenhos e traços, uma nova realidade para todos nós. O Museu do Isolamento é o museu do agora, da esperança e da reflexão que veio para mudar a forma como interagimos e inserimos arte em nossos cotidianos.

Entrevista com Luiza Adas Fundadora e curadora

Foi-se o tempo em que víamos os museus como espaços distantes e intangíveis. Com os novos tempos, vem também novas regras e no mundo da arte isso não foi diferente. Com o passar do tempo, o avanço das tecnologias e a vinda das novas gerações, cada vez mais a chave para nos relacionarmos com o mundo é a interatividade. Por isso, novos formatos de Museus vêm sendo desenvolvidos para se adequar a essa nova realidade. Dentro desse escopo surge o Museu do Isolamento: o primeiro museu digital do Brasil que tem como objetivo trazer novos artistas e reflexões acerca do mundo que vivemos. Um museu sem barreiras e nem fronteiras, que busca incluir cada vez mais pessoas para o debate da arte e da cultura, de forma mais acessível e democrática. Hoje em conversa com Luiza Adas, fundadora do projeto, que atualmente com pouco mais de 1 ano já conta com mais de 26 mil envios de artes pela hashtag e mais de 4 milhões de likes em fotos, entenderemos como a tecnologia foi capaz de propiciar visibilidade à  artistas que antes não eram reconhecidos. Luiza já realizou parcerias e ações com marcas como Chandon, Farfetch, Converse, Avon, Faber Castell e outras.

Cia. Dos à Deux

Cia Dos à Deux - Gritos - crédito da foto_Renato Mangolin (22).jpg
Cia Dos à Deux - Gritos - crédito da foto_Nana Moraes (65).jpg
Cia Dos à Deux - Fragmentos do Desejo - crédito da foto_Xanier Cantat (17).JPG

Artur Luanda Ribeiro e André Curti se conheceram durante um festival em Paris, em 1997, e decidiram começar juntos uma pesquisa teatral e coreográfica, tendo como inspiração a obra “Esperando Godot”, de Samuel Beckett. Um ano mais tarde, em 1998, nascia o primeiro trabalho, “Dos à Deux”, peça que deu nome à companhia. Hoje, com 10 criações em seu repertório, a “Companhia Dos à Deux” desenvolveu sua trajetória internacional em mais de 50 países, somando mais de 2.000 apresentações por toda a Europa, África Central, África do norte, Ásia, Polinésia Francesa, Emirados Árabes e América do Sul. O repertório  em turnê é composto por: “Dos à Deux” (1998),”Je suis bien moi” (2000), “Fulyo” (2000), “Aux pieds de la lettre” (2001), “Saudade em terras d’água” (2006), “Fragmentos do desejo” (2009), “Ausência” (solo com o ator Luís Melo) (2012), “Irmãos de sangue” (2013), “Dos à Deux 2o ato” (2015) e “Gritos” (2016).  Em 2015, depois de mais de duas décadas morando na França, a Cia. Dos à Deux passou a ter uma sede no Rio de Janeiro. O lugar é um espaço de criação para a companhia, mas também está aberto a intercâmbios, residências artísticas e workshops.

Entrevista

Espetáculos - Repertório online da Cia

DOS À DEUX – 2º ato (2013)


Artur e André recriam o espetáculo original de 1998, com interpretação de Guillaume Le Pape e Clément Chaboche. Sem palavras, essa peça tem seu tema e seus personagens, Didi e Gogo, emprestados da obra de Beckett “Esperando Godot”: uma espera sem fim, na qual dois clowns lunares erram com uma poesia e ternura raras. Sozinhos no mundo, eles esperam alguém que não virá jamais. Durante esse tempo suspenso, encontram jogos absurdos, brigas sem fim, achados tenros, para tentar preencher o silêncio. Do riso ao suspiro, esses seres infantis se sustentam, se empurram, se portam e se suportam. Eles avançam, rodopiam, não há nada a fazer, apenas esperar, nesse espaço “vasto suficiente para buscar em vão, e suficientemente restrito para que toda fuga seja em vão”. Esse duo burlesco explora com energia a construção original de uma linguagem teatral e gestual.
 

AUX PIEDS DE LA LETTRE (2001)


Como abordar o tema da loucura? Como invocar o confinamento? Como mergulhar no universo psiquiátrico? Como transportar para o palco a poesia das pequenas loucuras solitárias, das manias,das digressões desse universo? André e Artur partiram desses questionamentos após uma imersão de dois anos no hospital psiquiátrico Marcel Rivière, nos arredores de Paris, para criarem um espetáculo gestual que navega entre a poesia, o burlesco e o absurdo. Com mais de 350 apresentações pelo mundo desde a sua estreia em 2002, a peça oscila entre a tragédia e a comédia, plena de emoções, ternura e risos inesperados. A peça recebeu prêmio de melhor espetáculo no Festival Internacional do Kosovo e no Festival Mindelact, em Cabo Verde.
 

SAUDADE EM TERRAS D’ÁGUA (2005)


Embarcar, desviar, provocar, peça nos conduz ao exílio forçado de uma família. A história de uma mãe e seu filho, habitantes isolados no meio do mar. Personagens que vivem uma existência simples, quase arcaica. Preocupada com a continuidade dessa vida, a mãe parte em busca de uma mulher para seu filho. A esposa vem de uma terra distante. Os três aprendem a se conhecer e vão construindo seu espaço. Aos poucos, uma relação de afeto certamente nascerá entre eles. Nada devia perturbar esse equilíbrio conquistado, mas, progressivamente, a água que os cercava desaparece e se transforma em terra. A família não tem mais como se alimentar e deve partir. A viagem é longa e os conduz para longe de casa. Eles vão viver a espera, a esperança, mas também o  desespero. Espetáculo vencedor do prêmio do público no Festival de
Avignon (França), em 2005.

 

FRAGMENTOS DO DESEJO (2009)


Como viver a diferença? Qual é a necessidade de ser você e ser diferente? A peça retrata a história de quatro personagens que as vidas entrelaçadas narram a dificuldade de ser. Em cena, os dois atores/diretores, mais os atores Maya Borker e Matías Chebel, dão vida a alguns personagens – o pai, o filho Angelo/Angel, a governanta Olga e o cego Orlando – cujas histórias contadas de forma não-linear se cruzam por meio de desejos, conflitos, culpas e segredos. Há vários anos, pai e filho jogam a  mesma partida como um ritual de uma conversa sem palavras. Olga, a governanta da casa, observa os segredos e os não-ditos. Angel canta em um cabaré. Orlando é um personagem que foi completamente cativado e hipnotizado por essa voz. Sempre vai ao cabaré para ouvir a mágica voz pela qual se apaixonou. Com certeza é a mulher mais linda que já ouviu. O espetáculo equilibra-se entre dois abismos: o da necessidade de dizer quem somos e o do desejo.  Em 2010, a peça ganhou o Prêmio Shell de Teatro (categoria Especial).
 

AUSÊNCIA (2012)


Solo com o Ator Luis Melo. Em algum lugar do mundo, uma cidade vazia, apocalíptica e decadente foi devastada pela radioatividade. Sem água ou energia, o protagonista vive confinado no último andar de um arranha-céu. Sua única companhia é seu peixe vermelho, que vive em um aquário. Nesse contexto caótico, sob a constante invasão de ratos que tomaram a cidade e do ar irrespirável que lhe exige o uso da máscara de oxigênio até para abrir a janela, o homem vive recluso em seu mundo singular. O cenário, assinado por Fernando Mello da Costa, é um ambiente hostil, recortado por um emaranhado de canos e registros que se cruzam em todas as direções para fornecer ao protagonista a assustadora ração diária de apenas uma gota d’água por dia. O personagem enfrenta constantemente a solidão, a escassez e o confinamento, transitando em uma linha tênue entre a sanidade e a loucura.
 

IRMÃOS DE SANGUE (2013)


Em cena, André Curti e Artur Luanda Ribeiro conduzem uma coreografia gestual precisa ao lado dos atores Cécile Givernet e Matias Chebel. Em uma atmosfera onírica, a peça investiga os laços fraternos, as memórias e os conflitos que marcam a convivência familiar. A história se passa no centro das relações entre três irmãos e sua mãe, alternando momentos entre o passado e o presente. No cenário, o minimalismo foi trabalhado de forma orgânica e mutável por Curti e Ribeiro. Poucos elementos materiais, como uma mesa e uma grande gangorra, evocam memórias fraternais e a presença da mãe. Como nas criações anteriores, a música original de Fernando Mota se funde na dramaturgia gestual, sublinhando o não-dito e o amor fraternal incondicional. A peça foi vencedora do Prêmio Shell de Teatro, nas categorias cenário e ator para André Curti e Artur Luanda Ribeiro.
 

GRITOS (2016)


Em uma atmosfera onírica, a peça é formada por três  poemas gestuais metafóricos criados a partir de um tema: o amor. Os poemas que compõem “Gritos” são revelados por meio de uma partitura gestual sutil e minuciosa. Inspirada em temas da atualidade, a dramaturgia foi criada durante o processo de pesquisa e de criação artística. As pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo, os refugiados, a guerra e o amor permeiam os três poemas gestuais – os três gritos. A cenografia é uma instalação plástica composta por estruturas de colchões de mola, que vão se transformando em objetos insólitos ao longo da peça. “Gritos” foi indicado em 20 categorias nos pricipais prêmios de teatro do Brasil. Foi premiado nos prêmios Shell de Teatro (cenário), Cesgranrio de Teatro (iluminação e cenografia) e APTR (iluminação, direção e melhor espetáculo).
 

Alberto Pereira

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Créditos: João Baraúna

"Ao encontrar uma voz, a imagem experimenta uma forma de enquadrar-se, um deslocamento contextual que traz à luz significados potenciais em que ninguém pensava antes da imagem ser recontextualizada dessa maneira." 

Tradução livre de Maxime Boidy (2017), Les Études Visuelles. Saint Denis: PUV, citado em FRANCISCO, Carla. « Alberto Pereira, un « Black artist » brésilien ». Dans : Visual Slavery, [En ligne], mis en ligne le 27 sept. 2018. Disponible sur: https://imageslavery.hypotheses.org/285.

 

Alberto Pereira é artista visual por vocação, com formação em Comunicação Social pela PUC-Rio e Design Gráfico no SENAI Artes Gráficas. Sua pesquisa artística utiliza abordagens baseadas na Colagem e na Semiótica, onde estudo, técnica e linguagem alinham-se em composições digitais, palavras e lambe-lambe, vertente da arte urbana que utiliza o papel como ferramenta, plataforma e material de expressão. Seus trabalhos foram apresentados em exposições individuais, coletivas, festivais de arte digital, urbana, chamadas públicas independentes e salões de arte contemporânea em países como Argentina, Brasil, Egito, França, Itália e Líbano. Sendo um dos principais nomes na técnica dos lambe-lambe no país, em 2016 criou a rede Lambes Brasil, focada na divulgação, valorização e produção de eventos e oportunidades aos artistas de rua produtores de lambe-lambe em território nacional.

Entrevista

Processo de colagem de uma obra urbana